Objetivo Sorocaba oferece aulas de meditação on-line aos estudantes durante quarentena

Atividade busca equilibrar e fortalecer o emocional dos alunos

18/06/2020
Foto: Divulgação

O atual momento de pandemia e isolamento social exige tranquilidade, serenidade e concentração, para ser enfrentado da melhor forma possível, sem deixar de lado o desenvolvimento das tarefas diárias que todos precisam cumprir. Pensando em auxiliar os estudantes nesse desafio, o Objetivo Sorocaba passou a oferecer aulas de meditação on-line durante a quarentena.

Alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio participam da atividade. As sessões são conduzidas por especialistas na área, uma vez por semana, com duração variável. O projeto começou antes mesmo da pandemia, em fevereiro deste ano, por meio do Programa de Desenvolvimento Humano (PDH) da escola, com aulas presenciais. Mas, por conta da recomendação de isolamento social e entendo a importância ainda maior da iniciativa diante do momento excepcional, as sessões passaram a acontecer de forma remota.

A meditação é uma grande ferramenta para o autoconhecimento e a disciplina, ensina a compreender os sentimentos, reduz a ansiedade e propicia a paz interior. Por isso, a prática pode contribuir com o atual contexto, marcado por muita instabilidade e aumento da ansiedade e da depressão, afirma Nicole Duarte Fontes Lima, professora de meditação para o Ensino Infantil. “A meditação é uma forma de encontrar tranquilidade no meio dessa mudança toda. É uma pausa para respirar, para voltar-se para dentro de si mesmo e se escutar”, completa.

Nicole ministra as sessões em aulas gravadas para crianças a partir dos três anos de idade. Segundo a profissional, o hábito de meditar já na infância beneficia a criança durante todas as fases do desenvolvimento. Com a prática desde cedo, elas aprendem a viver em um ritmo balanceado e desenvolvem a paz interior, o que significa redução das agitações, disciplina e autorrespeito. Dessa forma, podem se tornar adultos mais pacientes, resilientes, menos ansiosos e emocionalmente fortalecidos, destaca. Além disso, ficam mais criativos, centrados e aproveitam o momento presente, sem almejar veementemente o futuro ou desejar a volta do passado, acrescenta.

Para trabalhar com as crianças, a professora precisou fazer adaptações no modelo tradicional das sessões de meditação. Ela aplica diversos recursos lúdicos, a fim de engajar os pequenos e, sobretudo, garantir a compreensão da proposta. As aulas são conduzidas por histórias e canções relacionadas à prática. A narrativa sempre contém a filosofia da meditação. “Por exemplo, eu conto a história de um sábio que vivia nas montanhas e ensinava meditação. E, aí, o sábio e eu convidamos essas crianças para fazerem essa atividade”, detalha.

A partir dessa técnica, Nicole introduz práticas de respiração, momentos de silêncio e reflexão e movimentos corporais, com referências de yoga. Tudo acontece de forma criativa e brincando. Para ensiná-las a respirar corretamente, ela pede para inalarem o ar como se cheirassem uma flor (inspiração). Depois, para a expiração, a dica é assoprar a vela de um bolo. Há, ainda, a recomendação de fingir encher uma bexiga bem grande, calmamente. “Existem, ainda, alguns momentos mais silenciosos, porque as crianças são bastante ativas e estimuladas. Por isso, as propostas as levam a conduzirem a atenção para um único objeto: a respiração, a história, o movimento do corpo e o relaxamento”, conta.

A iniciativa tem gerado resultados positivos, destaca a professora. Quando as aulas começaram, os alunos que estavam mais agitados, por exemplo, tornaram-se mais calmos e concentrados. Todos se conectaram mais com os colegas, começaram a compartilhar sentimentos, passaram a olhar mais para si mesmos, dentre outras mudanças benéficas. Conforme Nicole, mesmo no ambiente digital, as crianças continuam inspiradas a acompanhar o projeto e a colocar em prática os ensinamentos. Os pais enviam fotos e vídeos dos filhos assistindo às aulas e realizando os exercícios em casa. Além disso, as crianças comentam sobre os resultados alcançados com a prática. “Ao final da aula, eu já ouvi relatos, como: ‘nossa, professora, estou sentindo muito, muito amor. Nossa, como é bom. Estou com muita paz’. Eles trazem essas palavrinhas-chave, querendo dizer que estão se sentindo muito bem”, relata.

Ensino Médio

No Ensino Médio, o sucesso do projeto é o mesmo. Os alunos acompanham as videoaulas, participam ativamente e expõem seus pontos de vista sobre a pandemia, partilham sentimentos, dicas e soluções encontradas para driblar os obstáculos impostos pela pandemia, diz César Augusto de Souza Pierini, professor de meditação dos estudantes do 1° ano do Ensino Médio. “Ficamos muito surpresos de saber que muitos alunos estão utilizando as práticas e as técnicas de meditação e de autoconhecimento como alternativas para conseguir alcançar um estado de serenidade mental, para que possam passar da melhor maneira possível por este momento e seguir focados nos estudos e nas demais tarefas que precisam cumprir”, pontua.

No caso dos adolescentes, as sessões seguem o modelo mais tradicional e igualmente têm alcançado bons frutos. De acordo com César, os alunos, antes introvertidos, uma característica típica da adolescência, ficaram mais comunicativos e participativos. Também então menos apreensivos quanto ao futuro e mais conectados consigo mesmos. As respostas positivas são percebidas ainda mais nas sessões on-line, pois os jovens se sentem mais livres para se expressar. “Quando os alunos estão no ambiente presencial, diante dos colegas, costumam ficar com vergonha de compartilhar sentimentos ou têm receio de serem julgados por falarem algo que possa causar algum tipo de constrangimento. Mas, pelas videoaulas, eles têm se aberto mais”, diz.

Imagem ilustrativa | Pixabay

A meditação, no contexto da pandemia, serve com um alento e um refúgio em meio às dificuldades, considera César. Quando medita, diz ele, o aluno interrompe todas as suas atividades e se concentra em si mesmo e na sua respiração. Esse exercício o transporta para um estado mental de calmaria. Por isso, a prática beneficia tanto o corpo, quanto a mente, em especial. É capaz, inclusive, de regular os níveis de neurotransmissores (químicos responsáveis por estabelecer o equilíbrio entre os sistemas corporais). A prática libera alguns neurotransmissores de conforto, de paz e de serenidade. Por outro lado, para de produzir hormônios do estresse, como o cortisol. “Neste momento, todas as informações amedrontam e geram pânico. Muitas vezes, elas ficam ecoando dentro do nosso campo mental, sem nem nos darmos conta disso. Porém, quando se faz meditação, consegue-se alcançar um nível em que esse pensamento obsessivo, autocentrado no medo e na preocupação, seja amenizado. Então, é possível desfrutar das coisas ao redor e focar no que é necessário”, frisa.

Mais informações podem ser obtidas pelo site: objetivosorocaba.com.br e demais canais oficiais da escola.


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