Review: confuso e repleto de clichês, “Esquadrão Suicida” quebra expectativas

11/08/2016

Confuso e megalomaníaco, Esquadrão Suicida quebra expectativas ao apresentar uma trama insólita, repleta de clichês e buracos narrativos. Um reflexo do estrago causado por Batman V Superman (2016), que ainda faz suas vítimas.

O alvo da vez é David Ayer – diretor que fez um bom trabalho em Fury (2014), além de roteirizar outros títulos de ação como Velozes e Furiosos (2001) e Dia de Treinamento (2001) – que viu seu trabalho interrompido pelo desespero de um estúdio que claramente não sabe lidar com a franquia.

Após os acontecimentos de Batman vs Superman, a agente Amanda Waller (Viola Davis) recruta alguns dos maiores criminosos do mundo para formação de uma equipe secreta que trabalhará para o governo em troca da redução de suas penas. Dessa forma, os membros são apresentados no melhor estilo “Opera Rock”, com sequências que abusam do flashback e se esforçam para expandir o universo de heróis. Estratégia que daria certo, se não fosse o tom apressado onde elementos são jogados na tela, sem justificativa ou coerência.

O mesmo ocorre com a vilã Magia (Cara Delevigne) – que praticamente recicla os trejeitos cômicos de Sigourney Weaver como a vilã Zuul em Os Caça-Fantasmas (1984) – personagem sem empatia, com tantas limitações que sequer desperta atenção do público. Sua escolha é um erro drástico, tendo em vista que o universo DC conta com uma galeria cheia de vilões. Personagens tão complexos e conhecidos que a simples participação já resultaria em uma aventura muito maior do que o filme se propõe.

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Cara Delevigne como “Magia” / Foto: reprodução

A atuação de Delevigne é péssima, seu carisma não convence como bruxa. Os momentos em que aparece ao lado de Viola Davis chegam a dar pena, uma disparidade enorme de talentos.

Viola, por sua vez, é um dos pontos fortes da montagem. A atriz é a pessoa certa para incorporar a mulher forte dos quadrinhos, que rompe com padrões estéticos e impõe respeito em figuras de autoridade.

Como já era de se esperar, quem rouba a cena é Arlequina (Margot Robbie) que rompe os clichês sexuais, para nos brindar com sequências formidáveis que misturam humor e insanidade com pequenos momentos de reflexão. A atriz decifrou o papel com cenas tão boas, que até encobrem o Coringa (Jared Leto).

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Uma das poucas participações do Coringa (Jared Leto) / Foto: reprodução

Toda aquela publicidade e declarações de bastidores foram equivocadas, pois o icônico ”palhaço do crime” tem uma participação tão curta, que não permite nem um veredito sobre atuação. É apenas um acessório, deixando para Pistoleiro (Will Smith) o verdadeiro papel de destaque.

Apesar da origem suavizada para se aproximar de um herói, o assassino de aluguel é o único personagem a apresentar motivações plausíveis para o aceite do trabalho. A química entre Smith & Robbie é a única engrenagem que movimenta a ação.

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Pistoleiro (Will Smith) e Arlequina (Margot Robbie) / Foto: reprodução

Infelizmente, nem o carisma astronômico dos protagonistas salva o maior problema de Esquadrão Suicida, o roteiro. As inúmeras refilmagens divulgadas, bem como as declarações de produção, deixam nítido o interesse da Warner em construir um universo em expansão, porém precipitado.

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