Quarteto instrumental CharlieEchoLimaTango lança “SOUNDERGROUND”

Música
28/05/2021
Foto: Divulgação

Baseado no alfabeto fonético da OTAN, CharlieEchoLimaTango (ou CELT) serve como um “nome de guerra” adotado pelos músicos sorocabanos Leonardo Ortega (contrabaixo), Elvis Toledo (Bateria), Camilo Macedo (Guitarra) e Tiago Giovani (Teclados) que usam a linguagem, também universal, da música como artilharia de sobrevivência nas trincheiras do mercado instrumental.

As criações do quarteto misturam jazz, funk, R&B e pop, com uma dose de experimentalismo e improvisação.


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Lançaram seu primeiro EP “C.E.L.T.” ao vivo em 2020 e lançam agora em 2021 o EP “SOUNDERGROUND” através do selo Lastro Musical.

SOUNDERGROUND (2021)

Brincando com a polissemia da palavra Sound (som) e Underground (que pode ser traduzida como “subterrâneo”), Sounderground também pode ser traduzido como “Fundo Sonoro” que abre espaço para múltiplas leituras.

Já que estamos falando de um grupo de música instrumental, a absorção dos sentidos e significados moram no campo da intuição e subjetividade, dessa forma temos mais uma pista sobre o que pode significar o nome do álbum, sendo a música instrumental comumente associada ao mercado de trilhas sonoras e sons de fundo.

Dessa forma, para compor a capa do disco, o diretor artístico Ítalo Riber do selo Lastro Musical, responsável pelos lançamentos da banda, buscou referência na icônica capa do disco “Underground” (1968) do pianista Thelonious Monk.

Não se trata de uma releitura, propriamente dita, mas uma citação mais sutil, buscando recriar um ambiente de “guerra” no início do século XX, com alguns objetos de comunicação antigos e todo o aparato de guerra de que dispõe: pedais de guitarra, teclados, mesas de som, controladoras e muitos cabos.

banda celt ep sounderground scaled

Faça o pré-save de SOUNDERGROUND

Considerando o teor político-humorístico da capa de Monk, e o contexto atual, podemos entender a narrativa sutil dessa fotografia já que viver de arte no contexto da pandemia e, com muito pouco apoio, também torna-se uma batalha constante.

Musicalmente, a proposta do CELT diverge do jazz de Thelonious, uma vez que bebe de recursos mais modernos, se nutrindo de uma veia mais contemporânea, com mais grooves, swing e uma boa funkeada, mostrando a elegância e a versatilidade do fusion que utiliza-se da liberdade proposta pelo jazz, para caminhar por territórios mais concretos, utilizando a pavimentação estrutural do pop para orientar esse intercâmbio de estilos e vibrações.

Assim nota-se que essas seis faixas, além de toda a limpidez sonora e estrutura perfeitamente arranjada, ainda carrega um jogo musical que desafia a audição e rouba a atenção até de quem não é acostumado com a música instrumental, ao propor quebras pontuais, andamentos incomuns, solos corajosos e timbres inteligentes, isso sem contar perceptíveis mudanças de intensidade e sensações.

Ou seja, além da desenvoltura técnica dessas composições, mora nessas seis faixas a sensibilidade que conduz a emoção do espectador que, nesses pouco mais de 20 minutos de obra, pode se deparar com um produto que mexe tanto com suas inquietações, como também traz momentos contemplativos e meditativos e, ainda o convida para dançar.

A faixa “I Just Wanna See You Dance” não deixa dúvida quanto a essa intenção.


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