Projeto “Sexta-feira Cultural” do Objetivo Centro tem debate sobre cinema e racismo

12/08/2020
Foto: Divulgação

O projeto “Sexta-feira Cultural”, promovido pelo Ensino Médio do Objetivo Centro, é uma iniciativa de sucesso desta instituição de ensino. Reunindo alunos da própria escola, sua proposta é abordar sempre assuntos atuais e relevantes, trazendo para participar das discussões convidados de grande representatividade nos meios cultural e artístico.

As edições do projeto acontecem sempre na sexta-feira logo após as provas bimestrais do Ensino Médio. A mais recente foi realizada de forma on-line, no último dia 31/07, em virtude dos protocolos impostos pelo distanciamento social.

Teve como participantes, além dos alunos do Ensino Médio, a convidada especial Mazé Lima, que é professora, dona de um longo histórico de atividades ligadas às artes e à cultura na cidade, ex-secretária de Cidadania e uma das fundadoras do Momunes (Movimento das Mulheres Negras de Sorocaba), e o professor do Objetivo Sorocaba e historiador Sidney Aguilar Filho, autor, dentre outros filmes e trabalhos reconhecidos, do documentário “Menino 23”, que foi vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, nas categorias Júri e Júri Popular, e ficou entre os finalistas nacionais para as indicações ao Oscar.

O propósito do “Sexta-feira Cultural” é estimular, por meio do contato com as artes, o pensamento crítico dos alunos sobre a realidade que os cerca, ao mesmo tempo em que ajuda a desenvolver o seu protagonismo, como agentes de transformação desse universo.

Confira o trailer do filme “Menino 23”:

Coube ao professor Hércules Soares de Almeida, do Laboratório de Artes e curador de Arte do Objetivo Sorocaba, fazer a abertura da live e a apresentação dos participantes. Depois, todos puderem assistir à exibição do filme “Menino 23” e, na sequência, ouvir os convidados e debater sobre o tema do racismo, mote levantado pelo filme.

Sobre o documentário

O início da narrativa do filme começa com o que de fato aconteceu em uma sala de aula, quando uma aluna do professor Sidney contou sobre a descoberta de tijolos na construção de uma fazenda da família, que tinham gravada a suástica nazista. Foi esse fragmento histórico que deu origem a toda uma investigação histórica apresentada no filme, lançado em 2016 e hoje disponível no YouTube. Ele conta a história de meninos escravizados na década de 1930 em uma fazenda no interior de São Paulo e como se deu todo o processo que levou, inclusive, à perda de identidade pessoal desses meninos, que passaram a ser chamados por números. Daí vem o título do documentário, que faz referência a um dos sobreviventes do ocorrido e apresentado na película, o Sr. Aloísio Silva.

Em sua participação, Mazé Lima falou sobre a importância desse documentário para a discussão do racismo, tema sobre o qual os jovens vêm se mostrando muito atentos. Ela falou não só sob seu ponto de vista pessoal, mas também de toda uma geração de homens e mulheres negros, que ajudaram – e continuam ajudando – a construir este país, inclusive, como professores, contribuindo para alicerçar o conhecimento de profissionais de todas as áreas, mas que ainda encontram poucas oportunidades de ascensão na sociedade.

“Participei de outras lives, mas esta achei muito importante, porque o público é jovem. E parece que os jovens estão mais abertos a essa discussão. O filme também estimulou muito o debate e proporcionou um conhecimento sobre o assunto que muitos não tinham”, comentou.

Por sua vez, o professor Sidney chamou a atenção para a constatação de que a contribuição da aluna em sala de aula, que forneceu a pista para a pesquisa e a história apresentada no documentário, “consolida a ideia de que as escolas não são somente espaços de transmissão de conhecimento científico, mas igualmente de produção científica e de conhecimento. Ouvir os alunos e trabalhar com o conhecimento que vem da sociedade para dentro da escola é absolutamente fundamental. Faz parte da educação que temos e julgo que deveria nortear a educação que queremos. A escola como espaço de produção – e não só de reprodução – do conhecimento”.

Para o professor Hércules, é importante destacar, ainda, o quanto o debate sobre o tema proposto se manteve em alto nível intelectual, não só pela excelência do filme escolhido, mas em razão também do preparo demonstrado pelos alunos. “Eles vieram com bastante referências de leitura, dominando os conceitos sobre o assunto e, sobretudo, demonstraram engajamento. Além disso, o fato de termos trazido a Mazé Lima, que é uma representante do movimento negro, deu ainda mais vida às discussões”, avaliou.

Vem aí o “Festival do Minuto”!

Durante a live da última “Sexta-feira Cultural”, o professor Hércules aproveitou para despertar o interesse dos participantes e convidá-los para a próxima edição do projeto, quando será apresentado o “Festival do Minuto”, outra atividade organizada pela escola.

“A participação dos alunos no ‘Festival do Minuto’ aconteceu a partir de uma atividade da disciplina de Arte e Humanidades a respeito do tema ‘Arte e Psicologia’. Eles tiveram aulas de História do Cinema e abordaram conhecimentos vindos de teóricos sobre a psiquê humana, como Freud, Lacan, dentre outros”, explicou Hércules.

Organizados em equipes, os alunos se debruçaram na produção de vários curtas-metragens. Mesmo remotamente, eles puderam organizar suas ideias, utilizar os recursos técnicos estudados previamente e, principalmente, desenvolver os conceitos teóricos discutidos nas aulas. A próxima etapa abrange a submissão dos vídeos selecionados a uma banca de avaliação técnica. Haverá premiações para os trabalhos mais bem avaliados por esse júri, além de um prêmio especial a ser entregue ao vencedor do voto popular.

Sobre o festival

O “Festival do Minuto” surgiu de uma iniciativa conjunta dos professores Hércules; Erika Elisabeth Niggl, de Linguagem e do próprio Sidney, de Artes e Humanidade. Considerando o que foi discutido acerca do tema “Cinema e Psiquê”, os alunos puderam produzir os curtas, com o intuito de participar do concurso. No julgamento da banca, deverão ser avaliados critérios, como: rigor estético, fidelidade ao tema proposto e capacidade de síntese. “Agora, é aguardar o próximo ‘Sexta-feira Cultural’, quando serão conhecidos os trabalhos vencedores”, instigou Hércules.

Aguçando um pouco mais a expectativa pelo que está por vir, professor Sidney afirmou que não cabe fazer comentários individuais sobre os vídeos, uma vez que ainda não foram julgados. Contudo, ele contou que assistiu a todos e que encontrou trabalhos de altíssimo nível. “O importante dessa produção audiovisual dos alunos, em parte, tem a ver com o conhecimento do funcionamento da indústria cultural. Mas, sem dúvida, a questão central, hoje, principalmente diante desta pandemia que estamos vivendo, é também ter acesso a uma forma de produção que tem se mostrado bastante viável para a criação em grupos, de forma conectada, parece que indissoluvelmente, à tecnologia. Que eles possam usar esse mecanismo para debater as suas questões cotidianas, contemporâneas e organizá-las a partir dos conceitos e conhecimentos que estão sendo discutidos em sala de aula”, concluiu o educador.

O Objetivo Centro fica localizado na Rua Arthur Gomes, 51, Centro.
Mais informações podem ser obtidas pelo site: objetivosorocaba.com.br ou pelo telefone: (15) 3332-9900

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