Trapaceiros!

12/02/2014

Olá, jovens!

A boa da semana nos cinemas é a estreia de Trapaça. O filme, concorrente ao Oscar de Melhor Filme e vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia ou Musical, chegou aqui em Sorocaba na sexta, dia 7. Mas Trapaça me chamou a atenção antes de chegar nas salas. O diretor, David O. Russel, conseguiu repetir várias façanhas do seu filme anterior, O Lado Bom da Vida. A primeira, ser indicado ao Oscar de Melhor Filme dois anos seguidos. A segunda, a indicação ao Oscar de Melhor Diretor. E a terceira e mais interessante: assim como no filme de 2012, o quarteto principal de atores foi indicado aos Oscar de Melhor Ator, Melhor Atriz e Coadjuvantes. “Esse cara deve trapacear!”, eu pensei.

Pensei principalmente por ver o time de atores. Com exceção a Christian Bale, nenhum dos outros três é unanimidade. Bradley Cooper, Amy Adams e Jennifer Lawrence estão mais para queridinhos da indústria do que grandes artistas. Ok, a Jennifer ganhou Oscar de Melhor Atriz ano passado, mas nada me convence de que não foi trapaça. Ela foi bem melhor em Inverno da Alma e não levou a estatueta. Gosto e merecimento à parte, falemos de quem merece. O grande mérito dessas indicações é do diretor – que também assina o roteiro – por criar personagens únicos, e por saber mostrá-los com sua câmera vibrante e exagerada. Nos primeiros minutos já dá pra sacar. Os ex-golpistas Irving (Bale) e Sydney (Amy), são forçados pelo agente do FBI Richie DiMaso (Cooper) a cooperar numa investigação para pegar mais golpistas. O início é didático. Em flashbacks rápidos e bem montados, as histórias de cada um são reveladas até o ponto em que se encontram.

Ainda nessa primeira parte do filme, se nota o quanto o diretor tira leite de pedra do seu time de atores. Explorando closes fechados e cheios de expressão, o texto inteligente e veloz exige de cada um dos personagens, no mínimo, bastante improvisação. Além disso, cada um deles tem uma particularidade bem explorada em cenas rápidas, mas marcantes, como quando Irving tenta cobrir sua careca, Sydney fingindo ser britânica, Richie e seus bobes de cabelo e a completamente bipolar e imprevisível Rosalyn (Jennifer, mandando bem!), esposa de Irving, que entra na história conforme as investigações começam a ir longe demais e acaba rompendo todos os limites de certo e errado. Até Jeremy Renner, que também não me convence manda muito bem como Prefeito Carmine Polito, um dos principais investigados na operação. Essa é a grande diferença de quando se tem personagens críveis com personagens vazios como em O Lobo de Wall Street. Eles têm histórias pra contar.

Aliás, é difícil fugir da comparação com o filme do Scorsese. Ambos tratam de maneira glamourosa a vida ilícita. No meio de tantos heróis sem graça lançados em Hollywood, a moda é ser “malvado”. Muita gente têm reclamado disso. Mimimi à parte, pra mim, boas histórias devem ser sempre contadas. E Trapaça é uma excelente história real, de uma operação ambientada no fim dos anos 70, embalada por uma trilha sonora que inclui bastante jazz, é uma viagem gostosa de 2 horas e pouquinho por uma época de falso luxo, roupas extravagantes, cabelos enrolados e disco music. Com tanta malandragem no ar, é óbvio que alguém vai ficar pra trás. E com certeza não vai ser o espectador. Diferente do Lobo Mau, a trama não se perde em exageros e rodeios. Existe espaço pra se apegar aos personagens. Voltando ao mimimi, numa época tão bunda mole, Trapaça é um pontinho fora da curva. Talvez Russel seja um ponto fora da curva. O tempo dirá.

Até a próxima.

ir para o topo

Enviar