Lobo Mau

15/01/2014

Olá, Jovens!

No meu último post, indiquei lá. O Lobo de Wall Street é um dos melhores filmes do ano passado. O post acabou gerando uma discussão sobre a administração dos cinemas da cidade, e a não pontualidade nas estreias. Parece que tudo atrasa aqui. Por coincidência, no dia seguinte, para minha surpresa, o filme que tem estreia marcada só pra 24 de Janeiro, entrou em pré-estreia aqui em Sorocaba. Há muito tempo eu não via uma pré-estreia de um filme – que não seja blockbuster – na nossa querida Manchester Paulista. Ponto positivo para o Multiplex do Shopping Cidade.  A sessão única rola diariamente, às 20 horas, na excelente sala VIP.

Se a sala já vale o passeio, a atuação do Leonardo DiCaprio vale o ingresso. O cara criou um híbrido de trabalhos anteriores dele mesmo e fez um personagem único. Tem a psicopatia de Calvin Candie, do Django. É esbanjador como Gatsby. É louco como Teddy Daniels, de Ilha do Medo. É manipulador como o Mr. Charles, o malandro que é encarnado dentro de sonhos em A Origem. Com a direção completamente solta do Scorcese, parceiro de longa data do ator, ele adicionou uma imensa dose de deboche ao seu Jordan Belfort, ambicioso jovem corretor, aspirante a milionário de Wall Street. Na boa, ficou foda. Como ele mesmo diz, o cara é capaz de “vender lixo para lixeiros”. Temos aí um merecido vencedor do Globo de Ouro, que foi entregue nesse domingo, dia 12. E um favorito ao Oscar.

A direção, completamente solta que dá tanta liberdade e faz bem ao DiCaprio, acaba não fazendo tão bem assim ao filme. Scorcese resolveu chutar o balde, extrapolar qualquer limite e deixar a história em segunda plano. Explorando exclusivamente os personagens, associados bobalhões e amigos de Jordan – um deles sendo Jonah Hill, o ex-gordinho de Superbad, que faz um belo trabalho – e suas relações com as esposas e tramóias, o que seria um interessante retrato de uma época dourada de Wall Street acaba encoberto por uma longa viagem de 3 horas divididas em cenas que envolvem drogas, sexo e esbanjação. Ou tudo ao mesmo tempo. Não que eu seja moralista e não possa ver cenas assim no cinema, mas já deu pra entender na primeira hora de filme, que o cara curtia uma sacanagem completamente chapado.

Num filme sobre exageros, o exagero acaba se tornando lugar-comum. Scorcese tem crédito de sobra para tentar e errar, da maneira que bem entender. E capacidade pra fazer DiCaprio ter uma das melhores atuações da carreira e salvar o filme. Os críticos norte-americanos têm adorado o filme, e identificado nele o retrato de uma época, que eu sinceramente, não consegui ver. Eu vi a história de um cara engravatado, que ficou milionário às custas de sacanagens, fez suas estripulias e no fim das contas, saiu por cima. E esse tipo de história, acho que todo brasileiro já viu.

Apenas um adendo, a lista completa de vencedores do Globo de Ouro está aqui.

E em resumo, 12 Anos de Escravidão levou Melhor Filme Dramático. Trapaça, levou Melhor Filme de Humor ou Musical. E Gravidade levou Melhor Diretor. Esse Oscar promete.

Até a próxima!

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