Lá se foi mais um Febre

14/09/2016

Ficamos órfãos mais uma vez desses dias incríveis, mas cheio de boas histórias para contar. Foram momentos muito bem aproveitados pela equipe do Agenda Sorocaba, que se dividiu para conseguir registrar o máximo de detalhes e informações dessa atmosfera cultural que a nossa cidade respirou. Foram no total 35 shows, 9 casas, workshops, feiras, painéis e tudo aquilo que a cena musical independente precisa para se manter viva e forte por aqui. Confira agora as leituras dos colunistas Caio Saviolo e Fávio Devito, fotos de Bruno Kalach e Thaisa Siqueira, além dos registros de Marceli Marques, André Pinto e Lobotomia.

febre-mobile

O festival teve cobertura ao vivo nas redes sociais do Agenda Sorocaba | Foto por Thaisa Siqueira

 

Dias de Febre, por Caio Saviolo

 

Este ano o Febre me apresentou outra visão sobre o festival. Por motivos econômicos, não consegui fazer aquela maratona que foi tão construtiva no ano passado. Mas mesmo assim não era nem um pouco louco de perder esses dias e aproveitei o máximo que consegui. O bom de ter atrações todas as horas e em locais diferentes é isso, qualquer brecha é um motivo para estar presente em alguma atividade. Infelizmente fiquei de fora dos painéis, mas os shows… Quanta coisa boa rolou!

Dei início às atividades na sexta-feira depois da meia noite. Estava contado às horas para sair do trampo e ir direto ao Pub. Chegando por lá, nada melhor que uma dose de Paula Calvalciuk. Foi a 6ª vez que assisti uma apresentação dela, mas mesmo assim não me canso. Pelo contrário, é sempre muito bom!

febre-2016-gif-paulacavalciuk

O pop planetário da Paula Cavalciuk contagiou o PUB lotado | Fotos por Thaisa Siqueira

Logo em seguida teve as Baianas e a Cozinha Mineira. Foi aí que eu me recordei o porquê do festival. Caraca, que show animal! A surpresa quando não se tem expectativas é incrível. Para finalizar a noite, a dupla Venga Venga assumiu a discotecagem e colocou todo mundo para dançar ao som de tribos indígenas misturada com batidas eletrônicas. Balada com os amigos é sempre bom, com música de qualidade então, vixi!

Sábado, com uma ressaca que no fundo valeu a pena, encaro mais um dia de labuta. A cabeça rodava e dessa vez ficaria de fora de todas as atividades, pois o trampo consumiria todo o meu dia. Ouvi bons comentários sobre o show do Felipe Catto, que aconteceu na Praça Frei Baraúna. O que me deixou bastante feliz. Sabia que a magia ainda estava acontecendo na cidade.

febre-2016-gif-dompescoco

Dom Pescoço fez um funk da pesada no Palco Frei Baraúna

Mas como falei das brechas, no meu único horário de folga no sábado, dou um pulo no Sesc para conferir a feira que estava acontecendo lá. Pela primeira vez algo que não tem nada haver com música me chamou a atenção. Conversando com o desenhista “Misterorror”, sou apresentado a um universo de HQ experimental, ou como ele intitulou, histórias em quadrinho poética e filosóficas. Que louco, os desmembramentos do festival começaram a acontecer.

Domingo seria um excelente dia para dormir e me recuperar dessa correria da vida. Mas não no final de semana do Febre, menos ainda quando se tem a oportunidade de se apresentar. Que experiência da hora! Junto com o “Maracatu Mukumby”, no qual participo, abrimos as atividades no Sesc e pude sentir a energia de estar no palco. Foi muito bom usufruir da atmosfera contagiante do festival e colocar tudo isso em música. Ver o público dançando e até entrando em transe foi algo muito significativo. Quem sabe daí não despertou uma vontade de sentir isso mais vezes.

febre-2016-gif-maracatu

A intervenção da Maracatu Mukumby nas escadarias do Sesc | Fotos por Bruno Kalach

Ainda com a cabeça muito agitada com tudo que estava acontecendo nesses dias, só uma coisa poderia me deixar mais pé no chão. Manda um rap de qualidade aí que a gente se conscientiza e fica pianinho. Primeiro rolou o Autoconceito que me arrepiou com a música que a Fernanda Teka cantou sobre a sua mãe. Logo em seguida veio uma pedrada, o DMN, grupo clássico dos anos 90. Então bora focar no trabalho e não me entregar para vadiagem, “hoje me considero um H. Aço”.

O cansaço bateu e a única coisa que eu precisava era relaxar. Então toma! Impossível não ficar numa onda boa depois do show do Apanhador Só. Não foi o suficiente? Então cola correndo no Asteroid que tem show do Maglore, outra banda foda que vai te deixar emanando amor por alguns dias. Agora sou só paz graças ao Febre.

Maglore, a última banda a se apresentar no Palco Asteroid | Foto por Marceli Marques

Maglore, a última banda a se apresentar no Palco Asteroid | Foto por Marceli Marques

Nesse momento eu estava achando que já tinha aproveitado de tudo. Mas porque não finalizar o festival com os amigos e prestigiar um grande artista da cidade, como o Theodoro Nagô, no Gamboa. No final, a gente fica com aqueles papos que deveria ter Febre todo o ano, mas o dever de missão cumprida foi realizado mais uma vez. Estar lá de passagem e não residente é diferente, mas não da para negar que é contagiante do mesmo jeito. Se acompanhar 1/3 do que rolou já rendeu um texto, imagine quantas histórias não aconteceram nesse final de semana.

 

Dias de Febre, por Fábio Devito

Acima de tudo, o Febre 2016 foi um grito de resistência! Um aviso para a cidade que mesmo após tantas turbulências, a cultura Sorocabana continua viva, unida e ardendo em um só ritmo!

Durante o Febre, painéis e workshops foram realizados gratuitamente no Sesc | Foto por André Pinto

Durante o Febre, painéis e workshops foram realizados gratuitamente no Sesc | Foto por André Pinto

Tanto os bares quanto o público da cidade aproveitaram três dias de celebração, brindados com a identidade do interior que se relaciona cada vez mais com as principais tendências da música. Entre os meus destaques, está a diversidade de estilos e sonoridades que pintam o novo quadro da música brasileira. Artistas como As Bahias e a Cozinha Mineira, Rafael Castro e Filipe Catto exemplificam como o cenário mudou. São artistas carismáticos, que não se envergonham das raízes, transformando influências opostas num caleidoscópio de funk, samba, rock, mpb e groove que é a cara da nossa geração. Porém se engana quem pensa que o show foi apenas dos convidados.

Rafael Castro e banda com seu rock dançante no Palco Kapitan | Fotos por Thaisa Siqueira

A prata da casa é forte e de atitude. As boas vindas dos anfitriões Monoclub e Paula Cavalciuk trouxeram o que há de melhor da terra. Músicos que estão fazendo história com a irreverência e inquietude de uma cidade em constante movimento.

febre-2016-gif-monoclub

O country rock da Monoclub no Palco Kapitan | Fotos por Bruno Kalach

Sempre em movimento, o Festival Febre proporcionou ótimos momentos em três intensos dias. No aguardo da terceira edição, em 2017!

 

ir para o topo

Enviar