Clube de Compras Dallas

21/02/2014

Olá, jovens!

Dando sequência ao aquecimento pro Oscar 2014, chega às telonas de Sorocaba mais um concorrente ao prêmio de Melhor Filme: Clube de Compras Dallas. O drama biográfico independente tem o menor orçamento dos nove indicados, e não foi financiado por um grande estúdio. A maquiagem do filme, por exemplo, teve uma verba de 250 dólares. Ainda assim, foi indicada ao Oscar de Melhor Maquiagem. Fruto de um trabalho absolutamente bem feito por trás das câmeras, quase tão bom quanto a dupla de atores principais do filme. Matthew McConaughey decidiu lá em 2008, que estava cansado de bancar o galã fortinho sem camiseta em comédias românticas.

De lá pra cá, recusou cachês milionários e mergulhou em papéis mais desafiadores em filmes menos badalados como Killer Joe e o aclamado Amor Bandido. Em 2013, o esforço e a mudança foram premiadas. Além da participação excelente em O Lobo de Wall Street, o cara decidiu aceitar o maior desafio da carreira. Perder 20 quilos e implodir sua imagem de galã de uma vez por todas, na pele de Ron Woodroof, eletricista, caubói, apostador e pequeno golpista de Dallas. De início, o cara é só mais um típico redneck texano, que gasta seu tempo entre rodeios, (muitas) mulheres e as festinhas regadas a cerveja e drogas no seu trailer, em 1985. Até que numa ida ao hospital, vem o diagnóstico. Ele tem AIDS, os médicos estão surpresos por ele ainda viver e ele só tem mais 30 dias.

A trama começa de verdade, quando após 30 dias de esbórnia e falta de esperança, ele ainda está vivo. E decide que vai lutar pela própria vida, aceitar tratamentos alternativos e se necessário, infringir a lei. Nesse tempo, conhece Rayon, transformista soropositiva que vira sua aliada num esquema para trazer medicamentos não aprovados do México. Rayon é interpretada por Jared Leto, que sinceramente, virou mulher pra fazer o filme. Performance incrível e que deve consagrar ele com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Se em outros filmes Jared foi um coadjuvante apagado que sempre acabava morrendo ou espancado, como em Clube da Luta, em Dallas ele rouba a cena. Ele e McConaughey tem uma química excelente, crível e sincera no seu esquema de vendas de remédios para outros soropositivos.

Pela personalidade malandra e a maneira realista de encarar a vida de cada um dos personagens, Clube de Compras Dallas se destaca por tratar de tantos assuntos delicados como homossexualidade e AIDS sem ser piegas. Sem explorar o drama da doença, sem trilha sonora depressiva. Ron vai até o fim como um cara durão. Preconceito, aflição, teimosia, egoísmo e porque não, ativismo se confundiriam na tela, se não fosse a maneira tão simples – influenciada também pelo baixo orçamento – e sincera do diretor, na sua fotografia direta e objetiva. Apesar da Jennifer Garner e de alguns erros cronológicos, as atuações em Dallas devem ser valorizadas com prêmios e vão ficar na cabeça por muito tempo. Não é todo dia que se vê tamanha entrega de dois atores aos seus personagens. Como diria a própria Rayon, “I’ve been looking for you, lone star.”. Não precisa procurar estrela nenhuma. Os caras estão aí, brilhantes.

Até a próxima.

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